Arcade Fire - Crown of love

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

À flor da pele branca, vermelha e negra - Op.20



"Facultei-lhe o meu corpo e violou-me a memória. No abuso sincero da necessidade contínua, repousa incólume a montra dos sentidos.
Frequentemente, sempre depois da última vez, reinventa formas para as mesmas verdades - expressões da epiderme -." In Expressões da Epiderme I - White label.
A música moderna portuguesa tem numa das suas primeiras bandeiras um título muito idêntico ao opus 20. Desta feita são três tarjas que completam aquilo que o rapaz caleidoscópio iniciou em 1981. O cinema traz-me também uma grande aproximação às expressões da epiderme tripartidas - Krzysztof Kieslowski e o Trois couleurs: Bleu/Blanc/Rouge traduzem o que nunca poderei fazer aqui: traduzir em palavras as imagens que o ecrã não pode escrever.

A expressão white é um espaço acolhedor onde tudo foi pensado ao pormenor. Pode ser vista como a barca dos amantes ou a noite onde as horas não contam. A branca expressão é iluminada por uma luz ténue que revela apenas os caminhos do corpo. A pele a e restante nudez transpõem os seus horizontes habituais. Esta é uma marca de fantasia pouco colorida, um conjunto de sombras quentes e enfurecidas com o frio da madrugada.

A expressão red só existe porque o tempo não sabe esperar, porque não podemos ser eternos. A amargura do dia seguinte é como um inferno quieto. A sua existência basta para que nunca possamos sossegar. É neste estado de inquitação que a expressão vermelha reside.

A expressão black tem uma existência híbrida. Pode manifestar-se se a fraqueza humana o permitir. Há quem ultrapasse a luz do dia e se vingue com o sol a cair entre os montes e há quem não tenha força para encarar a exposição. Preto para quem não se consegue libertar.

As minhas melhores expressões epidérmicas são episódios que não quero esqueçer, são horas entre o tudo e o nada, entre a saliva e o silêncio perfeito.

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