sexta-feira, 8 de abril de 2011
Paralelismo entre o presente e o passado maravilhoso - Op.16
Uma pequena mala de ferramentas, um triciclo sem arranjo, uma caderneta do Sandokan sem a respectiva espada (essa seria uma das minhas poucas construções), entre outro espólio lúdico, as bochinhas ficaram como referência presente de um passado imprevisível.
A cor da infância e os frutos cor de fruto são símbolos maiores de um Misplaced Chilhood, longínquo mas residente, produtor de imagens e cenários belíssimos, uma autoestrada de regresso.
terça-feira, 2 de março de 2010
O fruto Intemporal - Op.13
"All the miners born with a golden heart". Quando estas palavras serviram o Tempo das Colheitas não pensei que um dia pudesse também contrair a feber do ouro. Estas palavras servem a placa dourada de um portão, estão juntas e querem descer para a rua. Podia servir-me do titulo para reivindicar a edicção do livro com o empenho de todo um trabalho anterior, mas isso não me deixaria espaço, além do necessário, para ressuscitar toda a colheita.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Os braços à procura do amanhã - Op.24 - parte II
"...Inspirei e soprei na escuridão: – Vem, noite que me abraças sem rodeios, vem calar as palavras que ousam abalar o teu silêncio... E a noite acocorada naquela estrada imaginária desprezou a minha súplica e abraçou-me sem resistência..." In Um abraço pela manhã faz do dia uma margem circunstancial
Depois da festa, o processo de descontrução - não a retirada dos braços - mas o que os levou ao cerco. Há sempre um sonho a mascarar a intenção primária do individuo chamado eu. A parte primeira fala da casualidade e da forma como este texto se impôs no Golpes. De facto, parece-me que ele esteve lá sempre. Sem matrícula ou titulo em anúncio, foi peça residente entre a Transposição do verbo / Cigarros & maçãs. Ali estou eu de forma pura e dura, entre as imagens que levo à noite para a cama e os primeiros devaneios que a alvorada trás.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Os braços à procura do amanhã - Op.24 - parte I
Na última revisão do Golpes olhei para aquela frase que ao sentir-se observada, mergulhou por entre os outros textos que a envolveram em cadeia definitiva. Num segundo aliviei a carga que durante tantos anos ficara presa na parede. Por vezes escrevo frases que reflectem uma situação tipo ou que podem entitular uma dispersão de sentidos. Muitas delas não resistem às manifestações do tempo enquanto força dos dias futuros. Mas esta frase em particular tinha, não só a força das flores campestres, mas uma intolerante persistência em afirmar-se diante dos meus olhos. Para quem não acredita no destino enquanto regulador máximo do nosso vinco à vida, não deixa de pesar o facto de, a poucos dias da edicção do livro, o texto surgir e cair como uma luva no título enunciado. A sua celebração foi feroz, a escolha para a leitura de um texto do livro recaiu sobre Um abraço - em letra capital - não de circunstância mas de feição. Sim, foi bonita a festa pá!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
FOI BONITA A FESTA, PÁ!

Sei que houve festa, pá
fico contente e enquanto estou ausente
guarda um livro para mim
eu queria estar na festa, pá
com a tua gente
e comprar pessoalmente
um exemplar para mim
sei que há léguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
sei também que é preciso, pá
navegar, navegar
lá faz primavera, pá
cá estou escrevendo
manda urgentemente
alguma prosa para mim
foi bonita a festa, pá
fiquei contente
ainda guardo com saudade
o que escreveste para mim
alegraram a tua festa, pá
certamente porque nunca se esqueçem de ti
sei que há léguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
sei, também, quanto é preciso, pá
navegar, navegar
canta primavera, pá
cá estou contente
manda novamente alguma prosa para mim
adaptação do texto que serve a canção "Tanto mar - 2ª versão" de Chico Buarque
Agradeço a todos aqueles que estiveram comigo
de forma presencial e nas outras formas que conheço
na noite do lançamento do "Golpes de Espelho".
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
BEM VINDOS TODOS AO SALÃO DE FESTAS

domingo, 29 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
A ENTREGA (parte II)
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Os cavalos-humanos de Calcutá - Op.4

"Quando mato alguém, sinto-me estranho e deprimido!" In
Tiananmen, Dili, Soweto, ou Qualquer Outra "Cidade da Alegria"
(Esta Agitação Mortal)
Este texto jamais poderia existir não fosse a minha teimosia em axexar vários temas desconexos. Aqui deixei fragmentos do livro de Dominique Lapierre/Cidade da alegria; o massacre no cemitério de Dili e a chacina na Praça de Tiananmen. Juntei a este melting pot uma banda sonora composta por uma única peça: The Jeweller/This Mortal Coil.
Esta é a tradução de uma visão onde o Estado moral pode ser encontado em qualquer cidade do mundo. Utopia percipitada nas imagens que os olhos não querem ver e que memória teima em não apagar. Esta é a prova de que o futuro é estranho e perigoso. Muitoss acordos assinados não passam de promessas assinadas em papel molhado, em vãs tentativas de iludir a democracia e o respeito do homem pelo homem.
Algumas das minhas agitações mortais jazem aqui, neste pequeno golpe por sarar.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Pequenas metragens e outros filmes - Op.10
"Sou desta carne pestilenta que suga, sangra e rasga carne desta que sou. O planeta está coberto, é fértil, fosco e fecundo. Cega será a chama deste parto vulcânico." In Ausência de um espírito comum."quinta-feira, 1 de outubro de 2009
À flor da pele branca, vermelha e negra - Op.20

"Facultei-lhe o meu corpo e violou-me a memória. No abuso sincero da necessidade contínua, repousa incólume a montra dos sentidos.
Frequentemente, sempre depois da última vez, reinventa formas para as mesmas verdades - expressões da epiderme -." In Expressões da Epiderme I - White label.
A expressão white é um espaço acolhedor onde tudo foi pensado ao pormenor. Pode ser vista como a barca dos amantes ou a noite onde as horas não contam. A branca expressão é iluminada por uma luz ténue que revela apenas os caminhos do corpo. A pele a e restante nudez transpõem os seus horizontes habituais. Esta é uma marca de fantasia pouco colorida, um conjunto de sombras quentes e enfurecidas com o frio da madrugada.
A expressão red só existe porque o tempo não sabe esperar, porque não podemos ser eternos. A amargura do dia seguinte é como um inferno quieto. A sua existência basta para que nunca possamos sossegar. É neste estado de inquitação que a expressão vermelha reside.
A expressão black tem uma existência híbrida. Pode manifestar-se se a fraqueza humana o permitir. Há quem ultrapasse a luz do dia e se vingue com o sol a cair entre os montes e há quem não tenha força para encarar a exposição. Preto para quem não se consegue libertar.
As minhas melhores expressões epidérmicas são episódios que não quero esqueçer, são horas entre o tudo e o nada, entre a saliva e o silêncio perfeito.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
O caminho do estranho-amor - Op9

Juntamente com a Grande Núvem de Magalhães, a Jornada configura a estrutura do guião para uma obra conceptual. Degrau a degrau, os movimento protagonizados ganham personagens e posturas que terão no seu epílogo as cores derramadas do papel invisível.
Para fugir ao óbvio, ao grupo das palavras do parágrafo anterior, vou ganhar moderação e dar brilho ao primeiro post deste blog.
A Jornada não é mais do que uma alegoria sobre a depedência de um homem face ao corpo da sua mulher. A fragilidade das relações, a forma como gerem os fenómenos físicos de atracção e repulsa. A necessidade e o desespero. O conhecimento do outro e o próprio conhecimento. Assim é este quadro, de linho branco, pele morena e beijos de saliva. Blood, sweat and tears!
Um carnaval onde tudo aparece perfeito, uma tensão que culmina com a dança dos corpos numa cama que gira sobre si própria, afastando os anjos que teimam em segurar as pontas do cenário.
A chuva não tarda, é abundante, é tamanha, os corpos emergem e esperneiam em movimentos desenfreados. Um frenesim afogado, sem fogo, névoa ou transparências opacas.
No regresso encontramos o conforto do abraço maternal ou a eterna dúvida de um amor definitivo.
Na Jornada partimos de uma convulsão cerebral, percorremos planicíes e planaltos, na Jornada acabamos por mergulhar na incerteza. E o amor será triste?
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Cachimbos e frutos celestes - Op17
"Amanhã, quando leres isto, já não estarei aqui. Durante nove dias vou estar em frequência modulada. O satélite é caseiro, mas eu não vou p'ra longe. As limalhas estão limpas e o resto dos temperos na caixa de ferramentas." In Cigarros e maçãsUM OLHAR DE RASPÃO
segunda-feira, 6 de julho de 2009
A vida antes do sonho - Op7

sexta-feira, 3 de julho de 2009
O verbo transposto - Op5

segunda-feira, 29 de junho de 2009
O acordar dos anjos - Op1

"Sei dos anjos e das aguarelas. Sei do riso das paisagens e das faces do passado. Lá em cima, no tecto da minha terra, tudo é transparente e trespassável. Há quem troque de corpo, há quem troque de lâmina. Aqui, trocamos palavras". In Os anjos também dormem - parte II.
Foi neste contexto, e no princípio de uma noite muito fria, naquela escola onde penduraram um quadro de Vitorino Nemésio que decidi acordar os anjos. Ainda a primeira folha A4 não tinha o conteúdo por inteiro, já me aventurava a esculpir estas coisas do sono dos outros num sistema 3.86 com janelas voadoras 3 ponto qualquer coisa numa versão para workgroups. O processamento de texto dava-lhe, não um carácter definitivo, mas o rótulo ficheiro.
Não foi minha preocupação articular a existência dos anjos com os registos biblícos nem estimular uma discussão entre católicos e protestantes, muito menos usar o tema para acender fogueiras já extintas em séculos anteriores.



